OCUPAÇÕES URBANAS:

Memória e ações coletivas

  • Marcelo Arioli Heck IUPERJ
  • Rodrigo Schames Isoppo

Resumo

A modernidade ocidental é marcada pela excessiva produção de informação, efeito da sofisticação digital e da globalização. As tecnologias de poder, paralelamente, se voltam a produzir uma subjetividade individualizante atuando, através da mídia de massa e da publicidade, nos campos mais profundos do sujeito, no corpo, no pensamento e no desejo. Do mesmo modo, a História e seus métodos cartesianos se utilizam da narrativa dominante para preencher suas páginas, sugerindo que existe uma verdade sobre o nosso passado que é escrita pela mão dos vencedores (Benjamin, 1987). A velocidade da informação ajuda a empobrecer a experiência singular do sujeito e apagar os rastros culturais minoritários, fazendo-se necessário uma análise da produção da memória coletiva e suas expressões narrativas. Neste cenário ocorre constantemente o ofuscamento de diversos elementos constitutivos da coletividade, como a memória e as questões associadas a ela. Neste cenário caótico, a proposta é apresentar uma visão a partir da base do movimento, sem qualquer filtro de negócios (mídia e Estado), mas nem por isso neutro politicamente - pelo contrário. Propõe-se, assim, através de um método investigativo, analisar como as mobilizações sociais têm se organizado para resgatar e produzir outra memória coletiva que respeite a multiplicidade e a singularidade dos que são excluídos pelos poderes e pela história. A questão central é se, a partir das ocupações dos espaços da cidade, seja através do espaço público em si como também representado por instituições públicas, a produção da memória coletiva ainda se sustenta para além de seus acontecimentos. As manifestações urbanas aqui analisadas e discutidas não podem ser classificadas como organizações, mas sim como ações coletivas, definidas por Tilly e Tarrow (2007) como coordenação de esforços em favor de interesses ou programas compartilhados. Os elementos constitutivos da memória, individual ou coletiva, são os acontecimentos vividos pessoalmente e também pelo grupo ou coletividade à qual a pessoa se sente pertencer.

Publicado
Out 16, 2019
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HECK, Marcelo Arioli; ISOPPO, Rodrigo Schames. OCUPAÇÕES URBANAS:. Entropia, [S.l.], v. 3, n. 6, p. 114/130, out. 2019. ISSN 2526-2793. Disponível em: <http://entropia.slg.br/index.php/entropia/article/view/137>. Acesso em: 07 dez. 2019.