ENTRE PIERRE RIVIÈRE E FRANCELINA JUGULETO: FOUCAULT PARA FEMINISTAS

  • PALOMA CZAPLA UNICAMP (PPGH)

Resumo

Neste texto, faço um paralelo entre duas vidas infames que acabaram caindo nas teias do poder ao serem acusadas de assassinato: Pierre Rivière, um camponês francês que matou três familiares em 1835, e Francelina Juguleto, uma mulher gaúcha e do campo que matou o marido em 1940. Dialogando com o feminismo da diferença e a filosofia foucaultiana, pretendo partir da relação entre essas duas figuras para pensar a construção da mulher, uma categoria histórica que não existe como essência fixa, mas sim como produto de confrontos discursivos. Além disso, também parto desse paralelo para discutir como a obra de Michel Foucault pode ser útil para a epistemologia feminista. Afinal, o filósofo francês pode não ter se concentrado nas mulheres, mas seus estudos nos deixaram inúmeras ferramentas para problematizarmos os jogos de poder que nos constituem e para percebermos que, se há uma tentativa de conduzir nossas condutas, também há vidas que, ou criam outros modos de existência, ou subvertem o que delas se esperam, indicando que, para além do poder, há a resistência, e, para além do governo, há a liberdade.

Publicado
Mar 24, 2021
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CZAPLA, PALOMA. ENTRE PIERRE RIVIÈRE E FRANCELINA JUGULETO: FOUCAULT PARA FEMINISTAS. Entropia, [S.l.], v. 5, n. 9, p. 77-92, mar. 2021. ISSN 2526-2793. Disponível em: <http://entropia.slg.br/index.php/entropia/article/view/201>. Acesso em: 13 abr. 2021.