REPRESENTAÇÕES DO CONSUMO MIDIÁTICO: O CASO “GOLPE” EM MÚSICAS DE PROTESTO DO SÉCULO XXI
Resumo
Vemos neste trabalho o pedido de impedimento da presidente Dilma e a instauração do processo pela Câmara dos Deputados e dos Senadores como um acontecimento no qual diferentes tipos de enunciados se articulam e passam a formar um emaranhado de possibilidades discursivas sobre a temática do impedimento seja para mostrar argumentos favoráveis ou contrários ao caso. Segundo Guilhaumou e Maldidier (1986) o acontecimento discursivo não se confunde nem com a notícia, nem com o fato designado pelo poder, nem mesmo com o acontecimento construído pelo historiador. Segundo os autores o acontecimento é apreendido na consistência de enunciados que se entrecruzam em determinado momento. Aqui, vemos estes entrecruzamentos em canções que denunciam um golpe contra a democracia. Procuramos ver regularidades (Foucault, 2008) que possam nos levar a perceber como se dá o consumo das representações de mídia em duas canções, a saber: “O morro mandou avisar” e “Golpe não”. Consideramos estas canções como música de protesto do século XXI, pois apresentam uma série de semelhanças às canções de protesto dos anos 60 e 70 no Brasil.